Direito Desportivo – Dr. Filipe Alves Rodrigues

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* Essa é uma transcrição da entrevista realizada em 04 de janeiro de 2022, em que o professor Bruno Marini entrevista com o Prof. Edílson dos Reis.

 

Introdução

Bruno Marini:

Olá pessoal no vídeo de hoje nós vamos entrevistar o Dr Felipe Alves e o Doutor Felipe Alves é advogado e diretor do Instituto de gestão esportiva na Cidade do Rio de Janeiro, também já atuou como advogado para o COB – comitê Olímpico do Brasil – e também já preço do consultoria jurídica para diversas Confederações brasileiros no cenário esportivo como a Confederação Brasileira de Voleibol, então ele vai nos ajudar muito a passar informações relativos ao direito Desportivo, que é uma área que tem crescido muito, e Inclusive no estado do Mato Grosso do Sul é uma área que ainda está em desenvolvimento, então vai colaborar muitos com a gente.

Dr. Felipe desde já agradecemos muito pela sua disposição e esse vídeo nós vamos deixar disponível tanto no YouTube como também para diversas turmas de direito da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul aqui da cidade de Campo Grande, então vai contribuir muito com essa temática do direito desportivo, então desde já a gente agradece muito pela sua disposição em realizar essa entrevista

Filipe Alves Rodrigues:

Eu que agradeço o convite, para mim é um prazer estar aqui com vocês, falando um pouquinho sobre meu trabalho, falando um pouquinho sobre o a paixão dos brasileiros que é o esporte, e o direito é uma oportunidade de conviver com o esporte, com essa paixão da maioria dos brasileiros. Eu me sinto até um privilegiado de trabalhar com que as pessoas sonham em viver. Então para mim é uma alegria poder compartilhar o conhecimento com vocês.

 

Leia a entrevista:

Bruno Marini – A primeira pergunta que gostaria de lhe fazer é o que eu direito desportivo, vamos começar pela pelo básico. O que seria o direito de desportivo? Qual seria a natureza jurídica do Direito Desportivo? Começaríamos assim pelas noções essenciais

Filipe Alves Rodrigues – Perfeito, Bruno, acho uma pergunta muito relevante. O que acontece é o seguinte, o direito Desportivo ele visa disciplinar as relações dos membros da comunidade esportiva global. É importante a gente entender que o direito, ele se destina a dirimir conflitos. Hoje a indústria esportiva global ela é bilionária, os conflitos que surgem então entre atletas e clubes, entre clubes e organizações esportivas, entre intermediários e seus atletas, eles são consumidos milionários, eles são conflitos que versam sobre grandes quantias. Daí surge a necessidade de ter uma organização dessa seara, desse nicho, desse segmento econômico, não é só um segmento lúdico, mas o esporte ele saiu do ócio ao negócio –  há dois séculos atrás quando o desporto começou a se organizar na contemporaneidade, o desporto ele era um ócio, os atletas eles se reuniram nas suas guildas, e eles praticavam esporte de forma lúdica, apenas com finalidade recreativa, mas com o tempo isso mudou, atraiu paixões, atraiu seguidores, e hoje o esporte faz parte da indústria do entretenimento.

E nesse sentido eu me filio a corrente e classifica o Direito Desportivo como um direito transindividual e indivisível, razão pela qual a gente classifica ele como direito difuso. Quando a gente fala que o direito Desportivo ele é transindividual significa que os direitos eles ultrapassam a individualidade de cada membro, tornando assim ele uno e conciso para todos. Outra característica que eu acho bastante importante no direito Desportivo é a sua indivisibilidade, e a gente pode entender isso como uma impossibilidade desse direito coletivo ser usufruído particularmente por aqueles que compõem o agrupamento, ou seja, é uma característica que a Constituição ela diz, é um direito de todos, mas não é  algo determinado, tão pouco determinável, representado por qualquer cidadão brasileiros, eu posso né ser titular desse direito ao esporte, você também, então é impossível determinar quem é o titular desse direito, todos são titulares desse direito desde que queiram.

É um direito difuso por assim dizer, e é um direito que às vezes ganha até uma conotação pública, ele é extremo interesse público, uma vez que ele faz parte da paixão dos brasileiros. Quando surge uma questão por exemplo no Tribunal de Justiça Desportiva, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, uma questão, principalmente de rebaixamento de clube, isso ganha o Jornal Nacional, isso vira assunto do Jornal Nacional, os advogados acabam se midiatizando na televisão, então é isso não é com muito acontecer, só acontece porque é uma indústria bilionária, só acontece porque além de lidarmos com direitos individuais, nós estamos lidando aí também com paixões sociais. Então isso é um fenômeno muito importante que marca o direito Desportivo.

 

Bruno Marini – Gostaria também que o senhor falasse um pouco sobre a sua experiência no Direito Desportivo. Como que começou? O que atraiu sua atenção?  Bem como também a sua experiência atual.

Filipe Alves Rodrigues – É o seguinte, quando eu toco na minha experiência em relação Direito Desportivo, eu confesso que ela surgiu de maneira bastante acidental, não planejei ser advogado do desporto, não planejei ser advogado do comitê Olímpico do Brasil não. Na verdade eu comecei a minha carreira jurídica como advogado que atuava no ramo do Direito Administrativo, eu era advogado de um escritório, e nós advogados para Petrobrás, Empresa de petróleo do Brasil, e com o tempo dentro do escritório fui me aprofundando em questões voltadas para a licitações, em questões voltados para contratos públicos, e em determinada oportunidade eu acabei me especializando em convênios administrativos – são aqueles repasses voluntários que a união faz municípios dos Estados em determinadas questões, principalmente de saneamento, educação.

E teve uma oportunidade, justamente naquela fase em que o governo, ele estava destinando muitos recursos para o esporte – depois de outubro de 2009, quando decidiu-se que o Brasil é ia sediar os jogos olímpicos né 2016 – o esporte ele se tornou, digamos assim, agenda pública, ele meu muita relevância dentro do governo, e muitos recursos passaram a estar disponíveis para o esporte, passaram estar disponíveis para que o comitê Olímpico do Brasil pudesse organizar essa Olimpíada, que tem caráter bilionário quando pensamos na feição dos investimentos, dos negócios relacionados ao esporte.

Então surgiu a necessidade do Comitê Olímpico do Brasil contratar alguém especializado no estudo desses convênios, uma vez que grande parte dos recursos seriam utilizados através dessa modalidade de repasse de verba pública, convênios federais, tanto para o Comitê Olímpico do Brasil, tanto para as entidade que formam o comitê Olímpico do Brasil. que são as Confederações.

Quando a gente pensa no esporte, o gestor esportivo geralmente, isso tem mudado recentemente, mas o gestor esportivo em geral ele alguém que foi um atleta, ele é um ex-atleta, ele alguém apaixonado pelo esporte, ele não é uma pessoa familiarizada com contabilidade, ele não é uma pessoa familiarizada com direito, ele não é uma pessoa um profissional familiarizado com governança, com recursos públicos, muito menos com licitações.

Então era muito importante que o Comitê Olímpico do Brasil disciplinasse esse assunto, e fizesse uma organização do repasse desse valor, uma vez que esse valor por ser verba pública é um valor, digamos assim carimbado, se você disse que você vai gastar 100.000 R$ em passagens para os atletas saírem daqui do Brasil para irem para a Europa treinar, você só pode usar para isso, você não pode usar esses recursos com outra finalidade. E explicar isso para o gestor esportivo não é fácil, ajudar o gestor esportivo a prestar contas desses recursos não é fácil.

Então esse que vos fala se tornou advogado no Comitê Olímpico do Brasil visando ajudar as 30 Confederações no uso desses recursos. A matéria foi muito árdua, mas me considero exitoso, tive sucesso nisso, em organizar seminários, em organizar treinamentos, para que as Confederações não se endividassem demais, para que as Confederações pudessem usar esses recursos de forma proba.

É claro que essas entidades esportivas tem autonomia de gestão, então embora a gente desce muitas orientações para elas, cada gestor, cada dirigente dessas entidades atuava da maneira que queria. E é por isso que os órgãos de controles como  o Tribunal de Contas, as vezes auditam essas Confederações, e às vezes até multam esse gestores esportivos devido ao mau uso do recurso público. É importante dizer que dentro do esporte olímpico, excetuando o futebol, todas as entidades esportivas dependem de recursos público, motivo pelo qual muitas vezes se envolvem em escândalos, e esses escândalos também atingem as páginas de jornais, e também a mídia televisiva.

 

Bruno Marini – Agora falando de uma temática que com certeza é muito atual na área esportiva, a pandemia, Covid -19. Qual tem sido o tamanho do impacto da pandemia no esporte? Como o senhor avalia isso?

Filipe Alves Rodrigues – Em relação ao esporte é importante dizer, que a pandemia foi algo realmente inesperado para setor esportivo, e ela simplesmente paralisou o esporte de uma forma geral, porque a gente pode dizer, porque até o momento o esporte global vive do espetáculo, do espetáculo presidencial a gente pode dizer assim. Se você tira possibilidade, foi isso que o Covid-19 fez, tirou possibilidade do espetáculo presencial. Quem por exemplo não sonha em estar naqueles estádios, naqueles ginásios, naquelas arenas em que ocorre o show, não vou nem dizer o jogo da NBA, eu vou dizer o show da NBA, porque para quem já teve a oportunidade de assistir a um jogo da NBA aquilo é um show, você mistura ali, você consegue aglutinar ali dois elementos importantes entretenimento e o esporte, e o resultado é o sucesso. Quem não sonha em estar nas corridas de Fórmula 1, nas gloriosas corridas de Fórmula 1. No final da Champions League. Pra para quem gosta de esporte é o sonho, o apogeu de um torcedor é estar nesses grandes eventos.

Quando os governos, eles dizem que está impedida a associação, está impedida a possibilidade de ajuntamento de pessoas em estádios e arenas, você vai no âmago do esporte, você vai na essência esportiva que a reunião de pessoas para assistir um espetáculo esportivo, e nenhuma modalidade esportiva tradicional estava preparada para oferecer aos seus consumidores algo similar ou até mesmo substituto para própria esse evento desportivo presencial.

Então, agora já estamos, assim digamos, com quase 80 dias de isolamento social por assim dizer, nesses 80 dias a gente tem algumas experiências bem-sucedidas em que alguns clubes, algumas federações, algumas confederações, elas criaram digamos assim, estratégias para oferecer aos seus torcedores, oferecer aos seus espectadores algum conteúdo.

Vamos exemplificar: aqui no aqui no Rio de Janeiro, alguns clubes como Flamengo, ele criou recentemente a TV Flamengo, então hoje existe uma programação através do YouTube da conteúdos voltados para a torcida do Flamengo, jogos de sucesso, entrevistas com os jogadores, entrevistas com gestores, então o esporte, principalmente o brasileiro, entendeu que além do jogo você pode oferecer conteúdo importantes. E esse é um tema muito importante para as organizações esportivas, tanto clubes quanto ligas, federações, confederações,  comitês, ou entidades de administração do esporte. É necessário oferecer conteúdo além do jogo, não é por outro motivo, que o Barcelona hoje, Club Barcelona na Espanha, ele montou dentro da sua sede um estúdio, ora, quando você ia pensar que anteriormente existia um estúdio, quase um estúdio de cinema, dentro de um clube de futebol, porque ele entendeu o poder do streaming, ele entendeu o poder do compartilhamento de dados.

Os Clubes hoje, principalmente esses clubes que são assim os principais clubes do mundo, o Manchester City, Manchester United, o Barcelona, o Paris Saint-Germain, o Real Madrid, esses clubes eles lidam com valores bilionários, é muito difícil para eles manter esses valores bilionários, manter os seus patrocinadores, e ao mesmo tempo eles não podem depender desses recursos.

O desafio do gestor esportivo é que hoje o clube, hoje uma entidade esportiva, ela não pode ficar na mão de um patrocinador, se aquele patrocinador sair o clube fecha, se aquele patrocinador sair, encerrar o contrato e não quiser renovar o clube ele não vai conseguir manter sua competitividade para o próximo ano. Então esse é o desafio, e nesse desafio os clubes europeus eles saíram na frente, eles estão conseguindo gerar recursos além de patrocínios, além de mídia televisiva, ao contrário dos clubes brasileiros. Hoje o desafio aqui no Rio de Janeiro, os clubes estão passando por muitas dificuldades, atletas estão com salários atrasados, muitos funcionários foram demitidos, porque os clubes, eles dependiam exclusivamente do direito de mídia televisiva, ou seja, dos recursos que a TV Globo repassava para Federação e para os atletas. Como a Globo ela suspendeu o contrato, os clubes ficaram absolutamente desesperados, com as suas contas negativas, porque eles não tinham alternativas de receitas, eles não conseguiram se reinventar ao longo do tempo, e hoje isso é uma tarefa muito importante.

Falando em nível global, o esporte, ele foi muito afetado, todos os megaeventos foram cancelados, como por exemplo a Olimpíada de Tóquio, e era uma Olimpíada muito esperada, porque seria a Olímpiada mais verde da história. Os japoneses conseguiram bater um recorde de levantamento de financiamento de recursos, desde a Olimpíada de Londres o esporte ele não tinha conseguido tantos recursos. Então o mundo esperava muito por essa Olímpiada, mas eu pessoalmente acredito que eles vão sair bem dessa, e eu tenho certeza que eles ainda vão sair com lucro, porque se tem alguém que trabalha nesse mundo são japoneses, trabalham 15, 16, 18 horas por dia, então eu tenho certeza que eles vão conseguir virar, e oferecer um belo espetáculo no ano que vem.

 

Bruno Marini – Uma coisa interessante, talvez aqui há entre aqueles que vão assistir o vídeo, estejam formandos de direito, alguns advogados que estão iniciando sua carreira, outros que estão se interessando em atuar no Direito Desportivo. Então que temas os advogados, eles poderiam estudar para serem mais competitivos nesse mercado? Ou para explorar esse novo nicho, o direito desportivo? O que está em alta no direito desportivo?

Filipe Alves Rodrigues – O direito Desportivo hoje, ele é uma ciência autônoma, ou seja, tem coisas objetivas, tem qualidades objetivos, que marcam o direito desportivo, que tornam ele diferente de outros sub-ramos do direito. Mas, quando a gente pensa no direito Desportivo, ele também é interdependente, ou seja, ele guarda relação com outras ciências jurídicas, com outros ramos do direito, então quando a gente pensa assim no direito desportivo, é muito comum a gente lembrar do Tribunal de Justiça Desportiva, da atuação dos advogados junto à justiça desportiva.

Mas, o advogado hoje, ele tem muitas oportunidades de atuação além da Justiça desportiva. Então quando a gente pensa no esporte, eu costumo citar uma pirâmide, para a pessoa entender um pouco das oportunidades que ela tem de atuar no direito Desportivo. O sistema hoje Desportivo Internacional, ele é marcado digamos assim, pelo ápice, dessas entidades esportivas são o Comitê Olímpico Internacional e o Comitê Paralímpico Internacional. Então o que eu quero dizer com isso, quero dizer que os atletas, eles estão lá na individualmente, e eles se reúnem e formam clubes, esses clubes reunidos eles vão formar federações ou Ligas, essas ligas reunidas vão formar Confederações, as Confederações vão formar Comités Olímpicos, e os Comitês Olímpicos Nacionais vão formar Comitês Regionais, e depois  Comitês Internacionais com o Comitê Olímpico Internacional.

Então hoje um advogado do direito desportivo, ele pode ser advogado de atletas, ele pode ser advogado de Clubes, de federações, de Confederações. Hoje no Brasil só de Confederações Olímpicas nós temos 35 Confederações Olímpicas, então ele pode ser advogado nessas Confederações como eu fui advogado do Comitê Olímpico do Brasil, do Comitê Paraolímpico Brasil, que também tem o seu sistema próprio, o Sistema Paraolímpico, e atuar em entidades internacionais, ou entidades como eu disse continentais como a Conmebol, aqui na América Latina nós temos da Conmebol.

Então são muitas oportunidades para atuar junto a entidades esportivas, além da atuação junto a entidades esportivas, o advogado ele pode atuar junto a empresas, porque hoje empresas voltadas para o esporte como eu disse para você, elas também têm um faturamento muito alto, um faturamento bilionário. A Nike hoje ela possui  diversos advogados, que tem o seu tempo de trabalho digamos assim, voltados maciçamente para o esporte, para contratos esportivos. A Nike patrocinar atletas, ela patrocina clubes, ela patrocinar eventos, então é importante que o advogado que atua nesses contratos da Nike, ele conheça as nuances desses contratos, conheça a realidade do atleta, a realidade dos eventos esportivos, então é muito importante ter um conhecimento aí do esporte.

Além disso esse advogado ele pode atuar em arbitragem. Hoje a CBF ela tem uma Câmara de Resolução de Conflitos, então um intermediário ele tem um conflito com um atleta, ao invés de ir para justiça comum, ele pode utilizar arbitragem junto a CBF. O Doping, usar substâncias proibidas pela WADA – Agência Internacional Antidoping -, ela também é muito preocupada em manter a competitividade, manter o fair-play, então atuar junto de atletas, de tribunais que protegem a integridade esportiva é também uma boa oportunidade para os advogados.

Antigamente os casos de doping eles ocorriam dentro do Tribunais de Justiça Desportiva. Isso mudou, hoje existe o Tribunal Brasileiro Antidoping que fica localizado lá em Brasília, então criou-se algo ainda mais específico dentro do Direito Desportivo que é o combate ao doping. Então essa também uma grande oportunidade para os novos advogados.

Quando a gente pensa em oportunidade, não tem como deixar de falar, ainda mais nesse momento de pandemia, a questão do esporte eletrônico. Esse então tem sido digamos assim, a minha paixão recente dentro do direito Desportivo, o esporte eletrônico. Por que? Porque o esporte eletrônico ou E-sports como é conhecido o inglês, ele tem uma natureza essencialmente digital, o esporte eletrônico ele é essencialmente digital, ele surge dos nativos digitais para outros nativos digitais, ele lida com essas comunidades de jovens, principalmente jovens, adultos também jogam, mas principalmente de jovens, que são nativos digitais, que são das Gerações Y com os sociólogos classificam, são das Gerações Alfa, da geração Z, são jovens que eles se alimentam utilizando aplicativos, se bem que hoje muita gente além dos jovens estão utilizando o aplicativo por exemplo IFood, Rappi, outros, mas eles se transformam através de aplicativos, usando Uber, 99, outros; eles utilizam aplicativos até para namoro como a gente conhece aí diversos aplicativos voltados para conhecer outras pessoas; eles tem as suas amizades mantidas pelas redes sociais; e eles também tem o seu esporte virtual; todas as reações dos jovens acontecem através do virtual, o esporte desses jovens também a virtual é o League of Legends, é o Counter Strike, é o futebol digital, seja ele FIFA ou Pro Evolution Soccer, é o Fortinite que tem brilhado nas telas da televisão, quem teve a oportunidades por exemplo de acompanhar o show do Alok, viu que o Alok ele fez um show dentro do jogo do Fortnite, então assim, um Pop Star da música dentro de um game, então é muito interessante essa mistura que o esporte eletrônico faz do entretenimento com digital, com a tecnologia, com a competição. Então o esporte eletrônico ele tem essa marca digital muito forte, e foi a única modalidade que não parou na pandemia, isso também é impressionante, todas as modalidades presenciais nos ficaram suspensas, o Esporte eletrônico não, ele apenas se adaptou, havia alguns eventos no esporte eletrônico são presenciais, ou seja os atletas eles competem, e outros assistem, assim como assistem outra modalidade esportiva, o esporte eletrônico, ele simplesmente ele se adaptou, o que ele fez, ele tornou essa assistência virtual, mas o jogo continua acontecendo, a competição continua acontecendo, os Campeonatos eles continuarão acontecendo, e isso protegeu os patrocinadores, os patrocinadores eles passarão olhar o mais respeito, com mais admiração, com um olhar negocial, com o olhar de investidor mesmo para o esporte eletrônico. Quer dizer que esse é o único esporte que não para na pandemia eu quero apoiar esse esporte. E o resultado não foi outro em março desse ano o esporte eletrônico gerou pelo menos dez bilhões de dólar, isso foi um marco. Recentemente o esporte eletrônico do Brasil ele estava crescendo a dois dígitos. Enquanto a nossa economia em todos os segmentos estava parada, enfraquecida, o dólar lá nas alturas, o esporte eletrônico vinha crescendo a dois dígitos, isso daí é de muito destaque, porque a economia brasileira como um todo ela cresce quando 0,3; 0,4; e ter um nicho de mercado que cresce 20% por ano, não é para qualquer segmento. Então o esporte eletrônico ele recebido muita atenção, são vários os motivos como mencionei, audiência crescente de pessoas e não assistem mais o esporte tradicional. Uma pesquisa alemã indicou que é muito difícil a geração mais nova, essa geração que a gente chama de geração Alpha, geração Z, que tem menos de 25 anos, ela fica uma hora e meia, duas horas assistindo uma partida inteira de futebol, muito difícil você aprender a atenção do jovem. Essa geração ela tem sido chamada de geração dos Highlights, ou seja, aqueles flashes onde você consegue ver ali, quem fez os gols, quantos gols foram, como a torcida se manifestou e pronto, o jovem está satisfeito com esses Highlights. É diferente do que uma pessoa da geração baby-boomer ou uma geração X, que tem aí acima de 40 anos, eles querem acompanhar todo o evento esportivo. Os jovens não, eles se satisfazem, porque os jovens eles têm muitas, eles têm vinte, trinta, telas abertas do computador, então eles vão zapeando de uma tela para outra. Então é muito difícil você reter atenção dessas pessoas mais jovens, e o esporte eletrônico consegue, ele consegue reter essa atenção, ele consegue engajar com essa audiência, ele consegue atrair essa audiência, motivo que as marcas mais importantes do mundo, Coca-Cola, BMW, Fusion, Ambev, elas estão procurando o Esporte Eletrônico para se posicionar, para se relacionar, e para rejuvenescer o seu o seu o seu público consumidor. Então o esporte eletrônico é o futuro os jovens advogados que quiserem se qualificar. quiserem atuar no mercado futuro do esporte, precisam compreender o esporte eletrônico.

E aí falando um pouquinho de esportes eletrônicos, o esporte eletrônico dando uma visão muito rápida para vocês, o esporte eletrônico ele é visto como um ecossistema, assim como a gente aprende na biologia o ecossistema entre os seres vivos e o meio ambiente, essa interação; o esporte eletrônico, ele é formado hoje por um ecossistema. Quem é que forma o ecossistema do esporte eletrônico? São as desenvolvedoras de jogos, as empresas que fazem jogo, que publicam esse jogo, são consideradas publishers e desenvolvedores, essas empresas são poderosíssimas, elas têm uma relação diferente para competição esportiva que por exemplo a FIFA tem com futebol. Por exemplo se eu reúno alguns amigos e quero jogar futebol, fazer uma competição eu posso, se eu me junto com alguns amigos e quero criar uma federação esportiva, uma Federação Internacional do Futebol eu posso, mesmo a FIFA sendo uma federação associativa bem antiga, mas por que? Porque a FIFA ela é uma entidade de administração do futebol, mas ela não é dona do futebol. Quem quiser joga futebol, eu posso não jogar no torneio da FIFA, mas eu posso jogar futebol quando eu quiser, eu posso organizar um torneio de futebol quando eu quiser. Não é o por outro motivo que ele tem uma grande disputa do Brasil entre o sistema federativo e o sistema de ligas, mas essa é uma discussão para outro momento. Essa relação, ela é muito diferente nos jogos eletrônicos, no esporte eletrônico, porque uma empresa que investe muitos recursos, e cria um jogo eletrônico ela é dona, ela é proprietária daquela propriedade intelectual do jogo eletrônico. E ela pode virar para mim e dizer assim, Felipe você não vai jogar esporte eletrônico, você organizou um campeonato, tudo bem eu suspendo o servidor, esse jogo é minha propriedade, joga quem eu quero, produz campeonato quem eu quero. Então ao mesmo tempo essas desenvolvedores de jogos criam um jogo, elas são uma espécie de entidade administrativa do esporte, elas punem os jogadores, algumas delas não todas organizam os campeonatos. Então um poder muito grande está na mão dessas dessas empresas que desenvolvem os jogos. Além delas tem os atletas chamados Pro Player ou Cyber atletas que têm uma relação com o seu torcedor, com seu fã, muito diferente, esses atletas eles ficam as vezes por dia, 15, 16 horas online. Então, o público consumidor, os torcedores, o fã, ele vê o atleta comer, vê beber, vê namorar, acompanhe o dia-a-dia do atleta, isso cria uma relação muito mais orgânica, muito mais forte, muito mais vívida do que os atletas de outras modalidades. E além desses atletas nós temos clubes ou equipe, o Flamengo por exemplo ele tem uma equipe de LOL – League of Legends – foi até campeão do segundo split do CBLOL no ano passado, esse ano ele perdeu, ficou em segundo lugar, perdeu para Kabum. Mas, a ideia é de que alguns clubes de futebol estão entrando aí no esporte eletrônico, mas existe alguns clubes que são, digamos assim, exclusivamente de esportes eletrônicos como a paiN, como a Kabum, como a Vivo Keyd, que atuam no League of Legends. Temos aí também as patrocinadoras, o patrocínio é muito importante no esporte eletrônico, ele ainda é a principal fonte de receita no esporte eletrônico. E temos aí outras pessoas que formam este importante sistema aí, do ecossistema do esporte eletrônico. Quem quiser atuar no esporte eletrônico tem aí essa oportunidade. Só para citar alguns valores para vocês, o esporte eletrônico gira no mundo 1,5 Bilhões de Dólares, e a indústria de games gira 125 bilhões de dólar, então são valores muito expressivos que chamam atenção de qualquer pessoa que veja ele crescendo. A indústria dos Games hoje ela já é maior, isso para mim foi muito notável, a indústria dos games hoje ela já é maior que a indústria da música, e a indústria do cinema juntas, ou seja Hollywood não bate a indústria de games. Então quem quiser se qualificar poderá atuar nesse mercado.

 

Bruno Marini – Uma última pergunta Doutor Felipe, talvez alguns que estão assistindo eles queiram se aprofundar em algumas dessas temáticas, então eu ia pedir a para o Senhor falar de algumas referências bibliográficas, ou até mesmo de alguns trabalhos que reproduziu para que quem esteja nos assistindo, se quiser aprofundar possa ter acesso, até mesmo como eles podem ter acesso?

Filipe Alves Rodrigues – Eu tenho alguns trabalhos publicados, tenho alguns artigos na internet, e alguns livros. Estou até, não fazendo propaganda, mas, mostrando para vocês, estou lançando essa obra, eu coordenador dessa obra, ela se chama “Reflexões sobre Governança, Integridade, Compliance no esporte brasileiro”, eu coordeno essa obra junto com alguns advogados muito importantes do esporte, o Dr. Bichara que é do escritório Bichara e Motta, são advogados até do Neymar participam da escrita da da obra, a doutora Ana Paula Terra foi a gente jurídica do Comitê Olímpico do Brasil, ela participou do projeto também, e outros advogados muito especiais como o Gustavo Nadalin, que foi gerente de Compliance do Curitiba, então é uma obra produzida com muito carinho. Quem quiser estou a disposição aí para enviar. E quem quiser também pode acompanhar o nosso trabalho através do da página do Instagram, lá tem muitas dicas culturais, dicas de artigos, dicas de livros para que possam ter oportunidade de entender mais um pouquinho dessa indústria esportiva, e do próprio direito desportivo

 

Fechamento

Bruno Marini – Doutor Felipe nós agradecemos muito a sua entrevista, queremos um dia ouvi-lo novamente ou presencialmente, ou numa outra oportunidade queremos também fazer um uma live, para que os alunos possam, ter a oportunidade deles também fazerem talvez as perguntas, retirar as dúvidas. Mas, uma vez, muito obrigado, por nos conceder a entrevista.

Filipe Alves Rodrigues – Bruno, eu que agradeço, para mim foi uma honra, eu fico à disposição de vocês em qualquer oportunidade para uma laive, para um seminário. E eu parabenizo vocês, a iniciativa sua de entregar um pouquinho de informações, de conteúdo voltado para o direito Desportivo. Afinal é mais do que informação que você está entregando. Costumo dizer que você está entregando a oportunidade da pessoa realizar um sonho, que atuar no esporte. Não tem público novo mundo que ame mais o esporte do que o público brasileiro, então quando você tem a oportunidade de atuar nessa indústria de uma maneira qualificada, de estar aço junto protegendo os direitos dos atletas, do direito das entidades esportivas, os advogados realmente se realizam duas vezes. Então eu que agradeço pela oportunidade de compartilhar um pouquinho da minha experiência com vocês.

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