Sustentabilidade versus razão neoliberal

Sustentabilidade versus razão neoliberal

sustentabilidade

No mundo do trabalho instalou-se uma razão (neoliberal) que se baseia na ausência de limites e  exploração desmedida, do meio ambiente às pessoas. A ressonância dessa lógica se estende a todas as esferas da vida, especialmente aquela privada, dando ensejo a um modo de violência implosivo.

A pessoa oprimida ganha relevo na engrenagem neoliberal, tornando-se algoz de si, o que gera a desnecessidade de um opressor externo e seus comandos diretos. A coisa toda se opera por meio de ameaças veladas de desemprego, do sugestionamento e da manipulação implícita nos discursos.

Adicione a esta equação o estímulo à culpa pela frustração profissional, pela falta de reconhecimento, pelo adoecimento emocional e pela infelicidade. O neoliberalismo é uma fábrica de pessoas ressentidas, angustiadas e infelizes, condição ideal para a disseminação do ódio e  da intolerância, catapultando paixões furiosas e destrutivas.

A lógica neoliberal tem implicações que perpassam a reivindicação do mercado pela abstenção do Estado na vida econômica e social (atitude antiestado). Por essa perspectiva, a concorrência e a produtividade identificam cada pessoa como um capital, cuja vida deve ser administrada racionalmente, em favor dos interesses do capital, agente invisível de manipulação. É a lógica do assujeitamento político. Não sem razão, observamos sindicatos enfraquecidos e trabalhadores sem consciência de classe, desmobilizados e por conta própria, promovendo a autofagia do coletivo.

O assujeitamento e a interdição do coletivo os dociliza e adestra  por meio da manipulação psicológica e uma incultação que endossa a exploração, fazendo-os não se perceber como oprimido(a) e a reproduzir a  opressão contra seus pares. A razão neoliberal baseia-se na  internalização de  predisposições sugestivas,  que tem na linguagem um duto de escoamento que dá capilaridade ao pensamento, ampliando o raio de espalhamento e toda sorte de violência (racista, etarista, sexista, homofóbica, islamofóbica etc.).

A sustentabilidade de uma sociedade tem como principal ameaça a manipulação de mercado que instrumentaliza as pessoas, naturalizando a própria violência  e a exclusão, por derradeiro, a marginalidade social. Esse esgarçamento mina a capacidade de insurgência e do exercício do contrapoder político, criando um status de vulnerabilização psicológica  e condicionamentos existenciais debilitantes. Assim, a massa de excluídos são impelidos a aceitar as condições que lhes são impostas, trabalhos precários que remuneram com salários insuficientes para uma vida digna.

Sustentabilidade é um conceito plúrimo e multidimensional, que não se restringe à preservação do meio ambiente natural, fundamental à existência humana. Compreende também a existência humana como parte do ecossistema. A razão neoliberal estruturaliza toda espécie de degradação, dando ensejo a uma série de iniquidades adjetivadas de estruturais.

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