Violência: Uma Preocupação Social

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Introdução

A palavra violência pode ser definida como utilização da força física ou do poder, real ou em ameaça, que resulte em lesão, morte, dano, deficiência de desenvolvimento ou privação, que nas palavras de Harlem Brundtland no mundo, a violência invade a vida de várias pessoas sob diversos ângulos e leva muitos a pensar que ficar a salvo é trancar portas, janelas e evitar o convívio social. Para outros, a ameaça da violência está atrás dessas portas, bem escondida da vista pública. E, para aqueles que vivem no meio de guerras e conflitos, a violência permeia todos os aspectos da vida.1

No início do século XXI a violência passa ser problema de saúde pública em diversos países. No mundo, a violência é uma das maiores causas de morte e muitas pessoas sofrem ferimentos resultantes de autoagressão, agressão interpessoais ou de violência coletiva tornando-se uma das principais causas de morte de pessoas.2

Assim, a colaboração entre setores é um ponto de partida necessário para preencher essas lacunas.3 O setor de saúde deve expandir seu papel na prevenção da violência, aumentar os serviços para as vítimas e melhorar a coleta de dados sobre violência. A justiça e demais setores colaboradores devem garantir que as leis fortaleçam a prevenção da violência e sejam rigorosamente aplicadas e cada vez seja mais interligada com programas de prevenção da violência.

Representação social da violência na adolescência

Representação social pode ser definida como o conteúdo de pensamento e de ideias com simetria nas crenças religiosas e políticas criadas espontaneamente possibilitando classificar pessoas e objetos, assim como comparar comportamentos no contexto social.4

Nesse contexto a representação social permite compreender o ato de representar um pensamento do sujeito ao relacionar-se com outro, ou seja, é um modo de conhecimento elaborado e compartilhado socialmente com uma orientação prática que ajuda na construção de um conjunto social.5

A violência se apresenta com múltiplas formas na sociedade, e se manifesta por diversos ângulos como social, político, individual, moral e psicológico. Ainda a violência pode ser: direta se caracteriza com agressividade e dono físico; indireta se configura como coerção psicológica, moral e emocional, e a violência simbólica está relacionada à relação de poder, dominação minando a consciência do indivíduo.6

Os indivíduos que sofrem essa espécie de violência “ficam com sua consciência adormecida, subjugada por aqueles ditos mais poderosos, cerceando as possibilidades de crescimento, de melhores condições de vida do indivíduo ou de grupos”.7 Nesse contexto, a violência não se restringe somente ao espaço individual, pois torna-se um fenômeno social que deve ser enfrentado com políticas públicas educacionais que promovam a consciência e emancipação respeitando as peculiaridades de cada ser humano como sujeito único.

Assim sendo, as diferenças e desigualdades sociais, econômicas e políticas, tendem a agravar as desigualdades que possuem como consequência a violência estrutural.8 A representação social refere-se à maneira do indivíduo pensar e interpretar o cotidiano e dar sentido à vida e o funcionamento de uma representação pode ser compreendido como processos de objetivação que compreendem a articulação entre a atividade cognitiva e as condições sociais das quais decorrem as representações.

Considerações Finais

Frente ao exposto, em uma sociedade onde a pobreza tornou-se evidente surge a preocupação não apenas sobre a injustiça social, mas das consequências que a desigualdade social possa causar. Ainda mais em fases estruturais como é o caso das crianças e dos adolescentes, que em muitos casos, não possui sequer o mínimo de alimentos para a manutenção do dia a dia.

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Michel Canuto de Sena

 

Referências

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1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. World report on violence and health (Relatório Mundial sobre violência e saúde), 2002,  p. 11. Disponível em: https://bit.ly/3yISX4T. Acesso em: 08 abr. 2020.

2. ROSA, R. et al. Violência: conceito e vivência entre acadêmicos da área da saúde. Interface – Comunic., Saúde, Educ., v. 14, n. 32, p. 81-90, jan./mar. 2010.

3. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Global status report on violence prevention 2014.  Disponível em: https://bit.ly/3yRqcD1. Acesso em: 26 abr. 2021.

4. MOSCOVICI, S. Representações sociais: Investigações em Psicologia Social. Tradução: Pedrinho Guareschi. Petrópolis: Vozes, 2003.

5. JODELET, D. Représentation sociale: phénomènes, concept et théorie. In: MOSCOVICI, S. (ed.). La psychologie sociale. 4 ed. Paris: Presses Universitaires de France, 1992. p. 357-389.

6. OLIVEIRA, A. L.; CHAMON, E. M. O. Q.; MAURICIO, A. G. C. Representação social da violência. Educar, Curitiba, n. 36, p. 261-274, 2010.

7. OLIVEIRA, A. L.; CHAMON, E. M. O. Q.; MAURICIO, A. G. C. Representação social da violência. Educar, Curitiba, n. 36, 2010, p. 264.

8. ARAÚJO, L. C.; VIEIRA, K. F. L.; COUTINHO, M. P. L. Ideação suicida na adolescência: um enfoque psicossociológico no contexto do ensino médio. Psico-USF, v. 15, n. 1, p. 47-57, jan./abr. 2010.

BRASIL. Decreto n. 17.943-a de 12 de outubro de 1927. Consolida as leis de assistência e proteção a menores. Disponível em: https://bit.ly/3qfOzX4. Acesso em: 12 jan. 2021.

BRASIL. Lei n.8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: https://bit.ly/32cxXHO. Acesso em: 12 jan. 2021.

DE OLIVEIRA RIBEIRO, Cléa Regina; ZOBOLI, Elma Lourdes Campos Pavone. Pobreza, bioética e pesquisa. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 15, 2007.

MINAYO, M. C. S.; SOUZA, E. R. Violência e saúde como um campo interdisciplinar e de ação coletiva. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v. 4, n. 3, p. 513-531, 1997.

PAIXÃO, D. L. L.; ALMEIDA, A. M. O.; ROSA-LIMA, F. Representações sociais da adolescência por adolescentes e jovens. Psicologia e Saber Social, v. 1, n. 2, p. 278-294, 2012.

PATTO, M. H. S. Estado, ciência e política na Primeira República: a desqualificação dos pobres. Estudos avançados, v. 13, n. 35, p. 167-198, 1999.

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