Proteção de dados: pós pandemia

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Com a liberação para o fim da obrigação do uso de máscaras em ambientes fechados em São Paulo (guardadas as pontuais exceções – tais como hospitais) sendo noticiada em todos os canais de informação conhecidos pelo homem, me veio o seguinte questionamento: afinal, a pandemia se aproxima, quem sabe, do fim… Assim, que lições restaram no que tange à proteção de dados digitais?

Veja, muito em função da Pandemia de Covid-19, pesquisas apontam que intensificou-se o uso da internet no Brasil, chegando à marca de 152 milhões de usuários. Um dado que corresponde a impressionantes 81% de toda a população do país com mais de 10 anos de idade. E não é por menos. Afinal, o isolamento obrigatório não impediu que as rotinas continuassem, haja a vista a funcionalidade do meio digital para o seguimento do dia-a-dia de todos nós. Em verdade, isso potencializou um risco já apontado anteriormente à pandemia, o da violação de nossos dados pessoais em rede cibernética.

Perceba que com a pandemia, tanto consumidores, como empregados, passaram a desfrutar, cada vez mais, de serviços virtuais em praticamente toda rotina diária. Simultaneamente, os diretores e demais gerentes observaram que a conciliação do trabalho para com as dificuldades de se lidar como uma quarentena os obrigariam a adotar modelos de trabalho e negócios que os direciona-se para canais digitais, tais como os aplicativos de comunicação — as já conceituados redes sociais — e implementa-se soluções tecnológicas aceleradas como, por exemplo, a migração para a computação em nuvem, de modo a haver um compartilhamento de dados entre empregados que sequer se encontrassem próximos do local de trabalho, cada um se fazendo presente através de seu smartphone, tablet ou PC.

O porém se fixa na evolução desenfreada, isto é, na inconstância da forma como se deram as transformações aceleradas e implementações ágeis aos desafios impostos pela pandemia, consequentemente, provocando inúmeras oportunidades de vulnerabilidades diante dessa nova exposição em massa, gerando um número crescente de riscos aos negócios. Não obstante, desde o início da crise sanitária, houve um crescimento significativo de crimes cibernéticos organizados por grupos de hackers, prontos para explorar os potenciais pontos fracos nos sistemas de tecnologia, bem como a ignorância e a ingenuidade de quem mal havia aprendido funcionalidade tecnológicas comuns.

Natural que dados indiquem que Golpes em compras na internet aumentam durante a pandemia no RJ, com destaque para as fraudes que subiram 170% entre março de 2020 e o mesmo mês de 2021. Um claro sinal da falta de proteção no meio digital. Nesta linha de intelecção, golpes pela internet quase triplicaram em 2020, apontou ISP. Segundo o levantamento, aumento foi de 198,1% em relação a 2019. Na contramão, por conta do isolamento imposto pela pandemia, diminuíram os números de homicídios dolosos, latrocínios, mortes de policiais, mortes por intervenção policial e roubos de rua, de veículos e de cargas.

O que sugere que os malfeitores, atentos ao uso da internet por leigos, tenham tomado gosto por aplicar golpes de modo a tomar quantias em dinheiro a partir de fraudes ou mesmo do uso de informações pessoais dos usuários, como quando alguém invade algum aplicativo do banco ou email.

Em consequência, empresas, principalmente bancos, têm entendido a necessidade da cautela no trato com a rede cibernética, em vista de blindar o consumidor usuário, haja vista cada vez mais a questão da proteção de dados dos negócios como demanda prioritária e uma área de investimento. Não apenas tratam a segurança cibernética como elemento fundamental para o sucesso futuro, mas também buscam gerar a confiança no cliente, na resiliência cibernética, na proteção de dados confidenciais e na transparência de abordagem. Isso em vista de fidelizar o usuário cibernético às facilidades que a rede pode trazer, a contrapeso de cortar gastos para as instituições, naturais das despesas de fazer a manutenção de agência físicas.

Tal preocupação se justifica na medida em que ataques cibernéticos têm se modernizado cada vez mais, de modo que alguns invasores tenham, inclusive, reutilizado senhas de usuários roubadas em violações de dados. Um fator prevenido pela autenticação multifator (por exemplo, usar um aplicativo de autenticação ou passar por verificações de segurança adicionais) que pode proteger clientes contra esse tipo de crime. Assim como o uso de tokens (códigos gerados direto de seu celular) e QrCode (imagem gerada imediatamente para pareamento através da câmera do celular). Medidas estas que, quando realizadas com cautela, inibiram sérios riscos em torno e transações e inspiraram confiança na segurança do serviço.

Vamos além, há que se citar também que ataques de ransomware (código malicioso que torna inacessível os dados armazenados em um equipamento e que exige pagamento de resgate para restabelecer o acesso ao usuário) aumentaram exponencialmente à medida que os invasores exploram ambientes de trabalho remotos. Ataques sofisticados assim, potencialmente, causam desafios de criptografia em grande escala e perda de dados. O que, infelizmente, acabam por exigir estratégias de backup e recuperação de informações para as corporações.
Em suma, não restam dúvidas de que a exposição excessiva ao uso da rede para seguimento da rotina somada à adaptação atribulada (ou a falta da mesma) junto ao usuário da rede trouxeram novos desafios. Desafios que devem ser superados tão logo para a segurança do meio cibernético, como um todo. De modo que a internet não reste como um antro dos golpes e fraudes, mas que siga sendo a invenção, talvez, mais revolucionária da modernidade, como a conhecemos.

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Túlio Coelho Alves

 

Referências

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HENDERSON, Alexandre. Golpes em compras na internet aumentam durante a pandemia no RJ; saiba como evitar. G1. 2021. Disponível em: http://glo.bo/3wDKqBl. Acesso em 20 mar. 2022.

AUGUSTO, Leandro. A urgência da proteção de dados no mundo pós-pandemia. ABEINFO. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3iopsxW. Acesso em 20 mar. 2022.

SEGURANÇA de dados no pós-pandemia: o que aprendemos? Security Report. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3IrLrhK. Acesso em 20 mar. 2022.

SOARES, Lucas. Com aumento na pandemia, Brasil chega a 152 milhões usuários de internet. Olhar Digital. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3inBmbb. Acesso em 20 mar. 2022.

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