Há muito se sabe que podemos falar de violência nos valendo de uma definição que é usualmente adotada: a da Organização Mundial de Saúde, ou seja, “o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação” (DAHLBERG; KRUG, 2006, p. 1165).
Não há dúvidas de que esta seria uma definição muito próxima a que a Lei Maria da Penha pretendeu alcançar e alcançou, mas, também uma definição muito próxima a que a Lei do Feminicídio e o Pacote Antifeminicídio objetivam alcançar. Não há como se falar em uma violência doméstica, familiar, intrafamiliar ou de gênero, por vezes, sem stalking, cyberstalking, assédio sexual, assédio moral, assédio educacional, indo do situar-se em casa para o situar-se mundo afora.
Como falar que, por vezes não há o uso de força física, força intelectual, força financeira, forças distorcidas da realidade? Como falar que, por vezes, não há o uso do poder-de-cor, poder-de-status, poder-de-atributos?
Como falar que, por vezes não pode haver autolesão em situações de ansiedade, fobias e depressões?
Como falar que esses casos não se agravam diante de quadros graves de saúde mental como de Esquizofrenia?
Contudo, neste universo de lesão-ao-outro estamos parando para olhar para todos os espectros?
Como convidar um homem a revisitar-se a si mesmo?
Por vezes releio a seguinte citação e vejo como ela ainda é atual no consciente e tão atrelada, aficionada, ao inconsciente de muitos homens:
Se uma mulher for abordada por um homem seja para sair, seja para dançar, ela pode recusar, pois o jogo é o da caça e do caçador. Se, entretanto, um homem for abordado por uma mulher com as mesmas intenções, e ele não se interessar por ela, recusando o convite, imediatamente é alcunhado de “maricas” (SAFFIOTI, 2004, p. 36).
O que há por trás dessa performance? O que certas Masculinidades podem acarretar? Pense em violências domésticas, de gênero, dentro do lar e fora do lar. Pense. E lhe pergunto: Feminicídio, Supremacia e Masculinidades: ao final de tudo, quais vozes serão ouvidas?
Referências
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DAHLBERG, Linda L.; KRUG, Etienne G.. Violência: um problema global de saúde pública. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 11, supl. p. 1163-1178, 2006 . Disponível em: link. Acesso em 12 nov. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232006000500007.
GONÇALVES, Andréa Lisly. História & gênero. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. 154 p. (História &- reflexões) ISBN 8575261924
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Laços perigosos entre machismo e violência. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 10, n. 1, p. 23-26, Mar. 2005 . Disponível em <link>. Acesso em 25 Out. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232005000100005.
SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004. 151p. ISBN 8576430029
WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Rev. Estud. Fem., Florianópolis , v. 9, n. 2, p. 460-482, 2001 . Disponível em: link. Acesso em: 12 Nov. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2001000200008.
WOLFF, Cristina Scheibe; POSSAS, Lidia M. Vianna. Escrevendo a história no feminino. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 13, n. 3, p. 585, jan. 2005. ISSN 1806-9584. Disponível em: link. Acesso em: 05 nov. 2018



