“Porajmos”: Ciganos “Roma” e “Sinti” também foram vítimas do Holocausto Nazista

“Porajmos”: Ciganos “Roma” e “Sinti” também foram vítimas do Holocausto Nazista

Ciganos (Romanis) sobreviventes, nas barracas no campo de Bergen-Belsen durante a liberação

Há uma estimativa de que existem cerca de 14 milhões de ciganos1 no mundo,2 pertencentes a várias etnias, sendo que em torno de 800 mil a 1.000.000 vivem no Brasil3. Geralmente os especialistas indicam que os ciganos teriam se originado na Índia e depois migrado para a Europa e demais continentes.

Dentre os principais grupos de ciganos estão os “Roma” (também chamados de “Rom” ou “Romani”) e os “Sinti”. Os ciganos são historicamente vítimas de preconceito e perseguição, e não passaram despercebidos pela ideologia racista do nazismo. Foram tachados de “raça inferior” e sistematicamente perseguidos. Nos campos nazistas, eram identificados com um “triângulo marrom” em seus uniformes.

Em decorrência de sua vida nômade e em comunidade, os ciganos foram tachados equivocadamente de “vadios” e “bandidos” em muitas regiões do mundo, o que contribuiu para a sua exclusão social em muitas sociedades. Mesmo nos dias atuais esses estigmas são muitas vezes aplicados aos ciganos, dificultando o acesso dos mesmos a trabalho formal e serviços públicos essenciais, como educação e saúde. Um aspecto interessante é que nem todos os ciganos vivem de forma nômade, muitos estabelecem residências fixas.

Durante o Holocausto Nazista estima-se que mais de 220 mil ciganos foram mortos4. No entanto existem estudos que indicam que o número pode ter sido maior, chegando aos 500 mil5. A ONU estabeleceu o dia 2 de agosto como o Dia Internacional da Memória do Holocausto Cigano. Essa data foi escolhida, porque no dia 2 de agosto de 1944 ocorreu o assassinato de cerca de 3 mil ciganos nas câmaras de gás de Auschwitz6.

Prisioneiras ciganas no campo de concentração de Ravensbrueck
Imagem: Prisioneiras ciganas no campo de concentração de Ravensbrueck7
Dezenas de milhares de ciganos foram deportados dos países invadidos pelos nazistas para campos de extermínio e concentração, principalmente localizados na Polônia, como Auschwitz, Treblinka, Sobibor e Belzec. Muitos acampamentos ciganos foram convertidos pelos nazistas em campos de trabalhos forçados temporários até a sua deportação. Em dezembro de 1942 o chefe das “SS” (Himmler), determinou a deportação de todos os ciganos para os campos de extermínio e concentração. Em Auschwitz, o bloco em que os ciganos ficaram presos foi chamado de “Campo da Família Cigana”, nos quais moravam amontoados em locais minúsculos e insalubres8.

Muitos ciganos também foram vítimas como cobaias de experimentos médicos. Em Auschwitz, o médico Mengele selecionou diversos ciganos anões e gêmeos para seus experimentos desumanos. O mesmo ocorreu em vários outros campos. Estima-se que cerca de 3.500 ciganos foram vítimas de tais experiências9. Na Croácia, o regime de inspiração nazista do USTASE (liderado por Ante Pavelic), também promoveu uma perseguição sistemática aos ciganos. O mesmo ocorreu na França, sob o governo colaboracionista dos nazistas de Philippe Pétain.

O Holocausto Cigano é geralmente chamado de “Porajmos”, que no dialeto “romani” significa “Devoração” ou “Destruição”. A história da perseguição aos ciganos pelos nazistas ainda é pouco conhecida. Assim, o presente texto visa divulgar esse fato histórico em memória das vítimas ciganas.

 

Referências

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1. O termo “cigano” não é aceito por algumas comunidades que chamamos de ciganas, as quais preferem serem chamadas de outras formas, como, por exemplo, “roma”. No entanto, estamos usando este termo em decorrência da necessidade didática, pois o termo é amplamente utilizado em trabalhos científicos.

2. Brandão, A; Silva Júnior, A.A; Balász, J. Saúde mental dos povos ciganos: revisão de literatura integrativa. Ciência e Saúde, v.30, n.4, 2025, disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/dj6JgyTnZhSwP9bfkfNCSrF/?format=pdf&lang=pt

3. Ministério da Saúde do Brasil. Povos Ciganos/Romani. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/equidade-em-saude/povos-ciganos-romani

4. Museu do Holocausto dos EUA. Perseguição aos Ciganos (Roma) Europeus 1939-1945. Enciclopédia do Holocausto, disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

5. Conselho da Europa. História e Holocausto dos Ciganos. Disponível em: https://www.coe.int/en/web/roma-and-travellers/roma-history-/-holocaust

6. Nações Unidas Brasil. No Dia em Memória ao Holocausto Cigano, especialista da ONU exorta governos a combater discursos de ódio. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/138425-no-dia-em-mem%C3%B3ria-ao-holocausto-cigano-especialista-da-onu-exorta-governos-combater

7. Fonte da Foto. Museu do Holocausto dos EUA. Disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

8. Museu do Holocausto dos EUA. Perseguição aos Ciganos (Roma) Europeus 1939-1945. Enciclopédia do Holocausto, disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/genocide-of-european-roma-gypsies-1939-1945

9. Idem.

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