Breves Notas Acerca da Web 3.0

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Houve uma transformação da sociedade decorrente da difusão dos computadores, sobretudo, a partir da década de 1970, bem como do advento da internet que propiciaram uma sociedade contemporânea marcada pelo alto uso de tecnologias.

O mundo está sendo redesenhado por essas alterações, à medida que surgem novas tecnologias para atender determinados interesses da sociedade, a sociedade tem de se readaptar a essas novas tecnologias. E a tecnologia evolui de modo acelerado, para a lei de Moore a capacidade dos computadores dobra a cada dois anos, todavia a capacidade humana cresce gradualmente no decorrer da história, assim as pessoas precisam aprender cada vez mais rápido.1

Dentre as tecnologias que mais proporcionaram transformações na sociedade destaca-se a web, que possibilita a distribuição de dados e informações quase instantaneamente. A transformação é tamanha que a sociedade contemporânea pode denominada como sociedade hiperconectada.

Nessa linha de intelecção:

(…) a web tem uma forte capacidade evolutiva, seja decorrente da sua distribuição descentralizada ou simplesmente pelo o que representa atualmente na vida das pessoas. A internet deixou de ser um ambiente estático, só de leitura (Web 1.0) para ser um “caldeirão” de interação e compartilhamento (Web 2.0). E é só agora que começa a tomar forma à proposta de uma web mais inteligente, conhecida também por Web semântica ou Web 3.0.2 

Com desígnio de se discutir Web 3.0 tem de se admitir como pressuposto a prévia existência de uma versão Web 1.0 e Web 2.0. Ressalta-se que essas versões não são necessariamente trocas de protocolo ou tecnologias utilizadas, embora houve implementação de novas tecnologias essas designações são marcos para definir a relação de interação do usuário para com a web.

A internet foi criada em 1969, nos Estados Unidos,3 e a primeira versão da web, denominada web 1.0, é marcada por sites estáticos e sem interatividade, por meio dos quais possibilitava-se uma postura meramente passiva do leitor que era exposto a determinado conteúdo, todavia não havia meios de interação com o conteúdo.4 Com o desígnio de conseguir mais recursos nos navegadores empregava-se motores externos tal como Flash e Applets em Java.5

Desde aproximadamente 2004 até hoje podemos dizer que estamos na Web 2.0,6 esta promove uma alteração em como o conteúdo é consumido pelos internautas. “Os padrões perderam espaço para a personalização e os usuários deixaram de ser agentes passivos e tornaram-se ativos na troca de informação”.7

Com a passagem para a Web 2.0, ou «Web Social» como também é denominada, houve uma alteração drástica na forma como os utilizadores começaram a lidar com as novas ferramentas digitais que lhes eram disponibilizadas que assentavam num novo conceito, o conceito de partilha («share») onde se começaram a adotar interações do tipo «read-write». Exemplos paradigmáticos desta 2ª geração são os blogues e as redes sociais digitais que começaram a surgir como, por exemplo: hi5; Linked in; Orkut; Facebook, Twitter. É claro que no presente o Facebook pode ser considerada a rede com mais subscritores que já ronda 1,110,000,000.8 

A possibilidade dos usuários se tornarem ativos na troca de informação possibilita que eles cedam e que sejam coletados seus dados.

Há de se destacar que desde o surgimento das redes sociais as informações dos sujeitos tornaram-se muito mais acessíveis a todos os agentes que tenham interesse em utilizar tais dados. Com o advento das redes sociais não mais se faz necessário buscar as informações dos sujeitos uma vez que eles mesmo compartilham gratuitamente essas informações a todo o momento, sendo possível serem traçados perfis de compras com as informações disponibilizadas.9 

A coleta de dados é utilizada por parte dos fornecedores como meio para direcionamento de publicidades, desse modo promove-se uma rediscussão da questão da privacidade na era digital, surgindo inclusive leis que tratam desse tema, tal qual a Lei Geral de Proteção de Dados.

Delineado os elementos básicos capazes de caracterizar a web 2.0, há mais um elemento que merece ser referenciado, a computação em nuvem. Quando se fala em computação em nuvem, usualmente refere-se a datacenter de bigtechs que dividem poder computacional em serviços diferentes, nessa perspectiva centralizados e controlados por empresas. Todavia, com advento do Blockchain é possível uma descentralização do poder computacional, e esta é um dos motores da Web 3.0.10

Web 3.0, ou Web semântica é o termo que se está utilizando atualmente para descrever a próxima geração de serviços, ferramentas, e novos paradigmas, em uma verdadeira sinergia de tecnologias, dentre as quais destaca-se redes 5G, aprimoramento da inteligência artificial, o que possibilitaria até mesmo a criação de metaversos.

A web semântica está vindo para revolucionar o formato de busca de conhecimento em nossa vida virtual, por isso se faz necessário a sua compreensão, para que possamos fazer bom uso dela e para que também, nem organizações nem governos, nos tire o direito a privacidade e maior “liberdade” que obtivemos com o surgimento da internet.11 

A Web 3.0 e sua perspectiva de descentralização permite numerosas inovações. Faz-se referência as criptomoedas, NFTs, Decentralized Autonomous Organization (DAO) – possibilidade de gestão descentralizada de uma empresa, por intermédio do voto de seus acionistas, em votações certificadas por meio de token geridas por blockchain.

Todavia, a Web 3.0 também traz questionamentos acerca de segurança, tal como disponibilização de conteúdos ilegais, e factualmente impossíveis de remoção, já que distribuídos por toda a rede.

Ao direito incumbirá a discussão sobre a moderação da nova versão da Web, que já se desenha como o futuro, é necessário compatibilizar a segurança dos usuários ante uma descentralização, proteção de dados e numerosos outros aspectos.

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Clayton Douglas Pereira Guimarães

Glayder Daywerth Pereira Guimarães

 

Referências

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1. FRABASILE, Daniela. A tecnologia está evoluindo mais rápido do que a capacidade humana”, diz Friedman. Época. 2018. Disponível em: https://glo.bo/3qdbQsU. Acesso em: 21 dez. 2021.

2. SANTOS, Emanuella; NICOLAU, Marcos. Web do Futuro: a Cibercultura e os Caminhos Trilhados Rumo a uma Web Semântica ou Web 3.0. Revista Temática. v.8, n.10, 2012, p. 1-13. Disponível em: https://bit.ly/3EfS1WH. Acesso em: 21 dez. 2021.

3. SILVA, Leonardo Werner. Internet foi criada em 1969 com o nome de “Arpanet” nos EUA. Folha de São Paulo. 2001. Disponível em: https://bit.ly/3pfGpyx. Acesso em 21 dez. 2021.

4. SANTOS, Emanuella; NICOLAU, Marcos. Web do Futuro: a Cibercultura e os Caminhos Trilhados Rumo a uma Web Semântica ou Web 3.0. Revista Temática. v.8, n.10, 2012, p. 1-13. Disponível em: https://bit.ly/3pdxMES. Acesso em: 21 dez. 2021.

5. CÓDIGO FONTE TV. Web 3.0 (A Evolução da Interwebs já Começou) // Dicionário do Programador. Youtube. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3yPify0. Acesso em 21 dez. 2021.

6. CÓDIGO FONTE TV. Web 3.0 (A Evolução da Interwebs já Começou) // Dicionário do Programador. Youtube. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3ebJKsr. Acesso em 21 dez. 2021.

7. SANTOS, Emanuella; NICOLAU, Marcos. Web do Futuro: a Cibercultura e os Caminhos Trilhados Rumo a uma Web Semântica ou Web 3.0. Revista Temática. v.8, n.10, 2012, p. 1-13. Disponível em: https://bit.ly/3J8JRmJ. Acesso em: 21 dez. 2021

8. GIL, Henrique Teixeira. A passagem da Web 1.0 para a Web 2.0 e… Web 3.0 : potenciais consequências para uma «humanização» em contexto educativo. Repositório Científico do Instituto Politécnico de Castelo Branco. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3Eik6fZ. Acesso em 21 dez. 2021.

9. GUMARÃES, Clayton Douglas Pereira; GUIMARÃES, Glayder Daywerth Pereira. A Proteção de Dados do Consumidor pela Publicidade Veiculada por Intermédio Redes Sociais. Magis – Portal Jurídico. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3qfEedL. Acesso em 21 dez. 2021.

10. CÓDIGO FONTE TV. Web 3.0 (A Evolução da Interwebs já Começou) // Dicionário do Programador. Youtube. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3sv1Z4t. Acesso em 21 dez. 2021.

11. SANTOS, Emanuella; NICOLAU, Marcos. Web do Futuro: a Cibercultura e os Caminhos Trilhados Rumo a uma Web Semântica ou Web 3.0. Revista Temática. v.8, n.10, 2012, p. 1-13. Disponível em: https://bit.ly/3qeJXka. Acesso em: 21 dez. 2021.

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